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domingo, 26 de outubro de 2014

Vai firme Sêo Cornélio

Vou fazendo via-sacra
Pelos botecos da cidade
Tomando uma boa
Com salgadinho e limão
Pra não dizer que não usei sinceridade
Embarco nessa canoa
Minha nega Conceição
Naquele tempo a mulher tinha respeito
Não andava faiscando direito
Para com o macho se igualar
Até me lembro embora longe o tempo vai
Que mamãe pela lei do papai
Não ia na venda comprar
Hoje a mulher quer mandar mais
Querendo direitos iguais
E o mundo virou uma Torre de Babel
A mulher não há quem a prenda no lar
E qualquer dia a gente vai achar
A cama da gente em quarto de motel

Hélio Schiavo

Ponte Nova, 27 de agosto de 1981

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Já pensou nisso???

Como exemplo o rico, pobre coitado
Tantas vezes por aí foi corneado
Cuja mulher parece, vitrine de butique
Cheia de botox fajuto no aplique
Fingindo pra si mesmo que é feliz
Que mundos e fundos no estranjeiro
Tem na abastança do dinheiro
Depois de saquear quase todo país
Daí eu penso
Se o sol nasceu pra todos
A sombra é pra quem merece
Por causa do desamor
O ser humano padece!...

Helio Schiavo

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Saudação ao Grande Sir Ney


Sir Ney não é pessoa comum” LILulaS

Neste momento de vossa nova posse
No prelúdio de vosso quarto mandato
Ó Grande Cacique, ouça-nos!

Ó grande guru da política nacional!
Ó excelso faraó das pirâmides partidárias!
Pedra fundamental da ética legislativa!
Ó sempiterna múmia do Senado Brasileiro!

Promotor das alianças do reformismo lulista
Cacique ungido dos interesses partidários
Grande múmia dourada encima do muro
Calejado distribuidor de bençãos e lobbies!

Ó múmia egípcia a trinta anos no poder!
Ó imortal das letras de câmbio!
Ó frequentador dos chás da cinco da academia
do lobby nacional!

Guarda-mor dos inescrupulosos das jogatinas legislativas
Fiel da balança nos altos e baixos governamentais
Costurador-mor da colcha-de-retalhos de um partidio
galhado de parasitas sem identidade!
Mestre da orquestra de sanguessugas ditos representantes do povo
Merecedor de cartões vermelhos nos jogos suspeitos!

Ó mui eminente lorde Sir Ney! Não nos abandone!
Venha abrigar-nos sob as asas patriarcais
de vosso fisiologismo
Venha eternizar-te em vossa presidência senatorial
Venha mendigar descaradamente o nosso voto
Ó Dono do MARanhão! É senhor feudal do Amapá!

Líder inconteste das camarilhas legislativas
Não esqueça vossas promessas de eficiência administrativa
(afinal os problemas do Senado não são vossos, são do Senado!)
Ó sublime Lorde! Não se envergonhe
de vosso mandato secular
meio às 'suspeitas' de atos secretos
Não se envergonhe jamais
diante de excelências desbocadas e de dedos
apontados!

Ó Grande Khan da nossa classe política
Erudito carreirista de sucesso
Patriarca do grande clã familiar
Sim! Grande pai da família
de abutres vorazes! devorando as tripas
dos recursos públicos!
Atencioso avô dedicado a oferecer emprego
ao... namoradinho da neta!!

Ouça-nos o excelso representante do povo!
Representante mui honrado das oligarquias políticas
inúteis para o povo e que só legislam
em causa própria
prontos para aumentarem os próprios salários
ao bel-prazer

enquanto discutem debatem vociferam
combatem apontam dedos se degladiam
para impedir o aumento de 10%
no salário dos trabalhadores
mas engordam os próprios contracheques
em mais de 60% !

Ó impune benemérito e cidadão honrado
(ainda que não 'pessoa comum', sabemos...)
que zela por nós em nossa capital
de sacanas engravatados rindo
dos nossos narizes de palhaços-cidadãos
(pois sabeis que 'uns são mais iguais que outros')
Profundo conhecedor dos parlamentares
comensais cortesãos do poder
acomodados nos corredores do congresso!

Olhai por nós, ó faraó ó múmia
ó imortal ó patriarca egípcio!
Olhai por nós, daí das culminâncias
de vosso privilégio,
daí das riquezas e misérias dos lençóis
maranhenses!
Não nos abandone, ó grande Lorde Sir Ney,
nunca!

Assinado: o teu fiel eleitor.
01/02 fev 11
by Leonardo de Magalhaens

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Tragicomédia do sistema penal à moda brasileira

Depois que inventaram
Esse tal de celular
Veja só que coisa feia
Vagabundo na cadeia
Quer comer só caviar
Manda logo um torpedo
Provocando muito medo
Dizendo que vai sequestrar
O dia inteiro repete tudo de novo
Gozando do privilégio
Da insegurança do povo
E onde fica a ação direta do Estado
Permitindo esse grave pecado
Dando vitamina a cascavel?
É preciso repensar essa agonia
O cidadão já cansou da covardia
Sem meios de sair dessa Torre de Babel!
E o Estado nos obriga ante a desgraça
Ao levar o criminoso para a peia
Pagando a comida do pilantra que de graça
Acaba até engordando na cadeia!...
Como exemplo dou, olha aí Fernandeco Beira-Mar
Debochando até do tal regime diferenciado
Consegue se quiser com o mundo inteiro se contatar
Graças ao apoio inconteste do crime organizado

Hélio Schiavo

Vitória da Conquista, 01 de abril de 2009


sábado, 29 de novembro de 2008

Olavo o carteiro sem juízo

Olavo é irmão do padre Oswaldo e trabalhava no Correio
Vinha da Cidade para o Bairro com a bolsa cheia de correspondência
Ninguém esperava que ele fosse capaz de agir de modo feio
Pra diminuir o peso decidiu encher um buraco de cartas por conveniência

Carta de minha namorada não chegava mais e aí tive o pior receio
Já pensava até em arranjar outra por que isso me machucava a paciência
A população já andava desconfiando de maracutaia pelo meio
Por isso a campana no carteiro foi comprovada com rara eficiência

Descobri tudo e levei minha Professora Assumpção lá na beira do rio
Junto a Ponte de Ferro tinha carta de namorada, comércio, avó, amante, aderente e tio
E Assumpçao era diretora geral do correio e aí meteu sem dó a pua

Naquele tempo não existia essa porqueira de se safar com jeitinho
A solução veio logo pesando na cacunda de Sêo Olavinho
Pé no traseiro gordo que ele foi de vez catar cavaco no olho da rua!!


Helio Schiavo

PS: Do livro em preparo " Minha velha Ponte Nova", aproveito a ocasião para prestar um registro de memoráveis tempos de minha infância. Nessa poesia, tributo à minha primeira alcacoetagem, relembro a molecagem do carteiro Olavinho e a justa atitude da saudosa professora Maria Assumpção de Oliveira, minha mestra de francês na Escola Técnica de Comércio Pontenovense nos idos de 1950.