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domingo, 26 de outubro de 2014

Um triste registro da história social carioca

Para ninguém nunca esquecer, Luciana de Novaes era estudante da Faculdade Estácio de Sá e foi vítima de bala perdida dentro do campus ficando tetraplégica. Sensbilizado por esta lamentável rotina carioca à época, o poeta registrou seu protesto.

Vai firme Sêo Cornélio

Vou fazendo via-sacra
Pelos botecos da cidade
Tomando uma boa
Com salgadinho e limão
Pra não dizer que não usei sinceridade
Embarco nessa canoa
Minha nega Conceição
Naquele tempo a mulher tinha respeito
Não andava faiscando direito
Para com o macho se igualar
Até me lembro embora longe o tempo vai
Que mamãe pela lei do papai
Não ia na venda comprar
Hoje a mulher quer mandar mais
Querendo direitos iguais
E o mundo virou uma Torre de Babel
A mulher não há quem a prenda no lar
E qualquer dia a gente vai achar
A cama da gente em quarto de motel

Hélio Schiavo

Ponte Nova, 27 de agosto de 1981

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Já pensou nisso???

Como exemplo o rico, pobre coitado
Tantas vezes por aí foi corneado
Cuja mulher parece, vitrine de butique
Cheia de botox fajuto no aplique
Fingindo pra si mesmo que é feliz
Que mundos e fundos no estranjeiro
Tem na abastança do dinheiro
Depois de saquear quase todo país
Daí eu penso
Se o sol nasceu pra todos
A sombra é pra quem merece
Por causa do desamor
O ser humano padece!...

Helio Schiavo

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Comparações

No meu rancho de pau à pique
Não tem mumunha e trambique
Ganho com má transação...
Sou homem realizador
Isento até de pecado
No caminho de cristão!
Procuro ser modesto e pacato
Não jogando a sorte no mato
Movido pela ambição
para mim não existe entrave
Quem morre não leva a chave
Com que fecharam o caixão!
Mas, agora infelizmente
Lamento dizer a tanta gente
O efeito de algumas comparações
Veja pois se você descobre
Que tem cabra se matando pelo cobre
No sonho de perdidas ilusões!

Helio Schiavo

Vitória da Conquista, primavera de 2014

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

ESTRANHA REALIDADE: A INTOLERÂNCIA DO PADRE PINTO

Em tempos de intolerância religiosa e com vistas às eleições que vem por aí, o poeta se lembrou de outro nefasto exemplo de intolerância. Quem se lembra do caso do Padre Pinto expulso por celebrar missas com estéticas do candomblé?... O poeta imortalizou em versos. Deu o que falar! Pensando nisso, dê sua opinião, a Igreja colocou o Pinto pra fora, mas ainda tem gente que prefere o Pinto pra dentro. 


E você nessa, como fica?


Sonhei,

não era pesadelo quem diria
Houve um quiproquó sério na Bahia
Vou detalhar de forma que não minto
A galera decide calmamente e não apavora
Defendendo ardorosamente a maneira de ser do Padre PINTO
Contra tantos que queriam ali o PINTO fora!...
A polêmica cresceu a nível de quizumba
Esse homem de fé sem ninguém para quem apelar
Se envolveu misturando religião com macumba
E a Cúria decidiu a impertinência então não perdoar...
Daí lhe digo, dê seu parecer agora
Afinal o Código Canônico a que sei não está extinto
Seria incúria da Cúria mandar o PINTO embora?
Ou reunido o Consistório era melhor meter a mão no PINTO?
Coitado do Zé para sair desse atoleiro tão sozinho
A solução achada foi o resto da vida então aproveitar
Caiu na gandaia rebolando lá no Pelourinho
Imitando o PAGODINHO:"Deixa a vida me levar"
Dalí até a praça Castro Alves é um bom pedaço
Com o pessoal do metiê não brincou em serviço
O capeta alegre ganhou mais um no laço
Foi o castigo maior para punir o PADRE insubmisso
Zé PINTO cansado e arrependido murchou-se lá no canto
Se morrer em pecado mortal sabe que não vira santo
Por isso não vale a pena é claro algum risco correr
Esta é a estória daquele fora de série da Bahia
Nessa ACM não entrou nem com omissão nem rebeldia
Mas o poeta registrou dando fé de tudo pra valer!!

Vitória da Conquista, outubro de 2006
HÉLIO SCHIAVO

domingo, 26 de janeiro de 2014

Serra Pelada em dois Tempos...

Tem coisa que precisa ser explicada
Como por exemplo o ouro de Serra Pelada
Que o heróico garimpeiro mandou pru Banco Central
Confirmo que foram oitenta e cinco toneladas
De nossas costas doloridas e cansadas
Reforçando sobremaneira o Lastro Nacional!
Onde foram parar será que ainda está lá no porão?
Guardadas pra outra tanta ocasião
Na salvaguarda cívica do interesse do país?
O tal Lula diz que pagou a Dívida Externa
Mas sendo a mentira aqui bem é cristalizada e eterna
A gente não pode acreditar em tudo que ele diz!
O grupo do Mensalão até hoje por ele é protegido
Caso morto rolando no Supremo que nunca é resolvido
E quem protege esconde a cara e fica por detrás
Já tem dez anos com o povo no ora veja nesse aguardo
Como uma pobre parturiente sem direito a resguardo
Porque  nada chega para contentar o "nobre ladravaz!
Temos na mão do Governo catorze bilhões pra receber
Sobra do ouro na Casa da Moeda e mais corretamente um bilhão
Quem tem a CMG da Receita parte dessa grana pode merecer
Visto comprovar que realmente cavou aquele rico chão!
São trinta e duas mil carteiras emitidas na Serra de forma legal
Sem fraude e mumunha capaz hoje de resolver a questão
O Tribunal Federal de Recursos determinou salva guardas no Banco Central
Portanto não é esmola do governo para "ajuda magote de surrupião!
A água concentrada do lençol freático de Serra Pelada não ultrapassa 16 polegadas
                                 

Poderia o P.T vender a Serra para firma canadense?
Será que o Garimpeiro vai precisar de fazer passeata na Avenida Rio Branco ou na Avenida Paulista
para fazer valer os seus direitos?
Dilma terá que prestar conta disso tudo... antes da reeleição!

Está em marcha a Operação Boca no Trombone!

Hélio Schiavo

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

SERÁ QUE?...

O Paim entrou com projeto impedindo menor de trabalhar?
Até os dezessete anos moça nenhuma pode ter qualquer obrigação
Acho isso absurdo que realmente  não podemos de fato aceitar
Nem se quer ajudar  a mãe lavar roupa e cuidar do fogão!

Daí se vê como PT sujo joga alto pra ganhar eleição
A Bolsa Família tem mais de quinze milhões para amparar
Mesmo com o país não crescendo nesse suporte de decepção
Vai o PT demagogiando nesse velho sistema de nos enganar!

De repente o rolê tem apoio para jovem ir fazer baderna
Invadindo com arrastão shopping sem medo do povo da caserna
E aguente quem quiser a bagunça do crime bem organizado!

Direito de ir e vir da turba terá que ser no alto escalão bem discutido
Mas é o povão sacrificado cá em baixo é que está perdido
No mato sem cachorro sentindo o peso na cacunda  de mais este pecado!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Vade retro abadiando

Lá se foi o Abadia hoje bem extraditado
Porque ficar aqui comendo de graça na prisão?
O prato americano por certo é bem melhor e recheado
Sobrando ao tupiniquim uma caneca a mais do bom feijão!

Seu dinheiro pelo nosso governo foi expropriado?
Quem sabe algum adevogado vai reclamar então
Nunca falta proteção a bandido nesse país espoliado
Por isso sempre versejando lavro meu protesto com razão!

Quem sabe abadiando a riqueza dele a Fundo Perdido
Nosso país ficará deveras assim bem mais servido
E com outros e outros iguais se faça o mesmo agora

Os peculatários e traficantes hão de pagar caro a ousadia
Do mesmo jeito que se deu nessa boa ferrada ao Abadia
Naquele canto do recanto onde a mãe não vê que o filho chora!


Vitória da Conquista, 23 de Agosto de 2008.



TROVA


Vão dizer por aí que a LEI fez covardia 
Extraditando um santo para o estrangeiro 
Mas, nem o diabo sujo que saber desse Abadia 
Agora sem cavalo na sombra e sem... dinheiro!

sábado, 6 de dezembro de 2008

PRECE


Existe na vida de todos um momento
Que é preciso e como fazer uma reflexão...
Geralmente isso acontece em hora de tormento
Quando a dor aparece e oprime o coração!...

Aí é a hora de lembrar de DEUS o sofrimento
É fonte de aprimoramento pra se chegar à razão...
Não adianta qualquer disfarce e fingimento
Pouco importando o tamanho e motivo da questão...

Nessa hora, a gente, contritamente olha para cima
Pensa na Bondade do Ser Superior que nos anima
E como que, por encanto o milagre aparece...

Vem o reflexo, a calma, acende-se de vez a Luz
Quando se pede a céu humildemente através de JESUS,
Naquela força e energia pura, que nos vem da PRECE!


quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Nos tempos do Rio Antigo




Sou do tempo
Vou dizer do jeito franco
Português usava boina
Só andava de tamanco
O Rio não era como hoje essa Babel
Em cada esquina um buteco
Do Joaquim ou do Manoel
Eu ia lá tirar gosto da sardinha
Pra não perder a viagem tomava logo a braquinha
Comigo a verdde não desdenha Comecei no jardim de infância
Dos partideiros da Penha
Cabo Elpídio chapéu de chile na mão
Usava apenas bengala
Ainda dava carona
Prus bambas no camburão
Sou do tempo
De dormir com janela aberta
Ninguém andando na rua deserta
Não era assaltado não 

Ah! Sou do tempo
Que o homem era verdadeiro
Vi até Chefe de Polícia
Arriscar uma fezinha
Com S. Excia. o bicheiro
Na Rua da Relação
O tempo se foi
Essa certeza me invade
Tudo na vida é passageiro
Menos o condutor e o motorneiro
Que já seguiram no bonde da saudade

Hélio Schiavo

Vitória da Conquista, 02 de dezembro de 2008.

sábado, 9 de agosto de 2008

MOMENTO PRESENTE



O mundo viu com olhos de AMOR a festa da China
Alí no NINHO do PÁSSARO estava viva a estátua da fraternidade
Essa é a DIVINA LIÇÃO que CRISTO nos ensina
Vinda hoje pelo ESPORTE trazida no suporte da VERDADE!

Ah! porque mudar esse statuos quo que tanto fascina
Trocando o estado de espírito pela sujeira do ódio e maldade
Vamos aproveitar esse momento mágico e ampliar a oficina
Afim de revitalizar sempre a PAZ no campo e na feliz-cidade!

A História daquele povo valoroso foi contada brilhantemente
Com a presença do pequeno-grande Herói comovendo a gente
Sobrevivendo pela garra daquele terremoto tão devastador!

Que a Humanidade entenda e extenda a PAZ aqui na Terra
Mesmo vendo BUSHINHO ali fingindo não ser o senhor da guerra
Em nome de milhões de crianças e sonhos mortos com seu desamor!


VITÓRIA DA CONQUISTA,08/08/2008

sábado, 12 de julho de 2008

Para consolo do Rei

Dois de novembro!vou rever a última morada
Daquela que um dia assim, tão triste me deixou
Recitando baixinho uns versos como uma balada
Prá consolar, talvez, tanta saudade que aqui ficou!...

Caminho só, no entremeio de gente tão agitada
Que vem cultuar pesarosa o ente que findou
Sabendo que teu caminho também é minha estrada
Que a inexorável força do destino, tanto nos marcou...

Sei que JESUS amigo lhe deu boa pousada,
Para abrigar sua alma, ímpar, generosa e bonita,
Relicário que foi do meu puro, sincero e infinito amor!...

Receba pois nessa corbelhe que ai deixo depositada
A certeza do sentimento maior que nos uniu Maria Rita
Prá me fazer suportar hoje com altivez o peso dessa dor!..

Rio de Janeiro, 02 de novembro de 2000

Hélio Schiavo

terça-feira, 8 de julho de 2008

Tire a cangalha do povo


Me responda
alguém do lado de cima
O pêso bruto da rima
Se puder me contestar
Que adianta o real valorizado
Se estou desempregado
Sem saber onde ir buscar
Enquanto isso
A colundria se ajeita
Talvez prá pagar desfeita
A quem só votou no "home"
É exercício da pura cidadania
Recebendo a franquia
De excluído com fome...
Perdão pela fraquesa que encaixo
Quem tá do lado de baixo
Não é quem faz a baderna
Bezerra disse que isso vai ficar direito
Se aparecer o sujeito
Que faça o saci dobrar a perna



Hélio Schiavo



segunda-feira, 7 de julho de 2008

À Chico Mendes

A laparonga da Justiça está apagada
Nessa mata tão manchada
Pelo sangue do inocente
O poderoso contra o fraco abre guerra
Não cede um palmo de terra
Neste país continente
A luz não apaga na verdade que irradia
A quem se deve tal sangria
Contra o verde, o homem e a vida
O mundo ouviu em cada canto
O eco de dor no pranto
Trazido por uma bala perdida
Até quando Senhor tanta maldade?
Cadê a fraternidade
Que Cristo nos ensinou?
Continua a derrubada inconsequente
A ganância por aí comendo gente
Naquele dia que o Uirapuru não cantou
Chico Mendes
Seu exemplo ficou aqui
Neste caminho estirado
De mártir sacrificado
Nas matas do Xapurí

Hélio Schiavo


Faz 20 anos que o líder seringueiro Chico Mendes foi assassinado em Xapurí no Acre. Este poema foi escrito na ocasião em que o poeta sensibilizado pela triste ocorrência, registrou em versos sua homenagem.





quarta-feira, 2 de julho de 2008

Ao Cristo Sertanejo de Mário Cravo


O homem construiu reproduzindo a imagem no cimento
Lá no alto da cidade mostrando que é caprichoso o artista
Tentando espelhar no tempo algo parecido com o sofrimento
De quem um dia por nós padeceu de forma altruísta...

Quem passa por ali na Serra, às vezes repensa n'um momento
Tudo que Cristo sofreu e, nos séculos vai a perder de vista
E nem assim a ele
Provamos algum reconhecimento
Ignorando a Lei com nosso desamor de forma egoísta...

Será que estamos preparados para recebê-lo em sua volta,
Com tudo que aí está de violência tóxico crimes e revolta
Pergunte isso pra você mesmo agora meu querido irmão!

Será que vem uma cobrança justa de nós, por tudo isso,
Bancando o Judas covarde frio e vendilhão de Cristo,
Negando caridade ao excluído que precisa de remédio e pão.
Hélio Schiavo


sábado, 28 de junho de 2008

Reverenciando um bamba


Sob as nuvens da saudade
Hoje o céu não está bonito
Ah! como é dura essa verdade
Morreu Guilherme de Brito!

A poesia calada
Ficou com a alma abafada
Sem ouvir o eco do grito...
O poeta fica encantado
No jeito bem ritmado
Que nunca sai da memória

E a gente sofre caramba
Lá se vai mais um do samba
Prus anais de nossa História!

Será sempre lembrado com carinho
O povo vai cantarolando onde for:
"- Tire o teu sorriso do caminho
que eu quero passar com a minha dor!"

Vale esse verso uma homenagem
Tão pura e lapidar que lavro agora
No instante supremo da passagem
Do poeta imortal que foi embora!
Hélio Schiavo

Rio de Janeiro, 26 de abril de 2006.


quinta-feira, 12 de junho de 2008


Meninos de rua

menino vadio que anda na rua
De roupa despida com a alma tão nua
Porque sofre assim?...
O que o mundo insinua a tua alma perdida
Que pede comida, pedaço de pão...
Um dia serás, dirão eloquente
Uma alta patente dessa imensa nação...
Menino vadio sem fé nem escola
O Estado não dá
E lhe nega essa "esmola"
De ser diferente daquilo que é...
Talvez com carinho alguém no caminho
Lhe vendo tristonho chorando sozinho
Lhe dê incentivo de amor e de fé...
Dizendo: -" Que é isto criatura?
A vida é sorriso, de paz e ventura
Não chore, não chore, não chore Pelé!"